Visuais para ser diva
O que dá a uma personalidade o status de diva? Além da importância em sua época, a capacidade de continuar sendo lembrada. Para estas dez mulheres, isso não é problema. Pelo contrário: são referência quando o assunto é estilo.
É preciso conhecê-las e ver de perto as características de seu visual para entender por que elas
são consideradas divas.
Audrey Hepburn (Bélgica, 1929-1993)
“Ela é referência obrigatória em propostas retrô. E se engana quem pensa que seu estilo serve de
inspiração somente para o coque alto: o penteado pode variar tranquilamente de altura e de lado.”
Antonieta Calçolari
Poucos sabem que ela foi a responsável por eternizar o tubinho preto e popularizar o uso de sapatilhas no dia a dia. O vestido feito por Hubert de Givenchy para o filme Bonequinha de Luxo (1961) se tornou sinônimo de traje para festas. Já do set de A Princesa e o Plebeu (1953) saíram as ballerina flats, sapatilhas criadas pelo italiano Salvatore Ferragamo. Até hoje são best-sellers da marca que leva o nome dele.
Esses filmes também eternizaram um penteado da atriz. O coque alto com tiara embutida é procurado por mulheres de todas as idades, e é uma unanimidade entre as noivas. Antonieta Calçolari, cabeleireira do salão L’Officiel III, acredita que esse sucesso se deve à elegância da proposta e ao fato de o penteado ficar intacto até o fim da festa.
Coco Chanel (França, 1883-1971)
“Chanel sempre será uma figura emblemática relacionada à moda e à feminilidade.”
Fabien Provost
Gabrielle “Coco” Chanel revolucionou a história da moda mudando todo o conceito de vestuário. Ela aboliu os apertados espartilhos e inseriu as calças compridas no cotidiano feminino. “Ela simboliza a mulher trabalhadora e independente. Chanel incorporou esse ideal durante a vida sem perder o glamour”, comenta o hairstylist francês Fabien Provost, diretor artístico dos salões
Franck Provost e Fabio Salsa.
Inventivas, suas propostas não se restringiam ao mundo da moda. O cabelo na altura das orelhas foi outra marca deixada por ela. Variações à parte, até hoje o corte chanel conquista adeptas.
Jacqueline Kennedy Onassis (Estados Unidos, 1929-1994)
“Tudo na moda é cíclico, assim como o visual de Jackie O. Não acho que ele vá sair de moda tão cedo, se é que um dia sairá.”
Ton Reis
Primeira-dama dos Estados Unidos de 1961 a 1963, sua figura carismática e refinada traduz todo o glamour dos anos 1960. Ao lado do primeiro marido, John Kennedy, incentivou diversas ações culturais, entre elas a transformação da Casa Branca no Museu da História Americana. O apelido Jackie O. veio do sobrenome de seu segundo marido, o empresário grego Aristóteles Onassis.
Comparecia aos compromissos impecavelmente vestida, quase sempre com tailleurs e óculos escuros gigantes.
Mas o toque especial ficava por conta do cabelo acima dos ombros, com as pontas viradas para fora e um charmoso topo alto. Para o beauty artist Ton Reis, esse visual é adaptável e atende a maioria das mulheres. “Podemos repaginá-lo de várias formas: curto, alongado, em camadas... O importante é manter o estilo desfiado e o volume.”
Na preparação do penteado, Ton indica uma boa escovação seguida de bóbis enrolados para levantar a raiz.
Marilyn Monroe (Estados Unidos, 1926-1962)
“Marilyn se tornou a queridinha de Hollywood porque conseguiu unir sua sensualidade nata a uma imagem frágil e delicada.”
Rodrigo Lima
Sensual é o melhor adjetivo para definir o estilo da atriz, que começou no meio artístico ainda morena e como modelo fotográfica. Mas foi no cinema que a carreira decolou e sua imagem ficou conhecida graças a duas marcas registradas: as madeixas loiras com ondas platinadas e os lábios rubros.
Seu primeiro filme de destaque foi Niagara (1953), seguido do musical Os Homens Preferem as Loiras (1953), que tem a inesquecível sequência na qual ela, em seu tomara que caia rosa salpicado de brilhantes, canta Diamonds are a Girl’s Best Friend.
Marilyn era dona de um look irresistível, com um quê de pinup, que é copiado até hoje. “Esse visual tem pontos marcantes, mas é importante trabalhar nele para não parecer caricato. Quando o cabeleireiro traz uma referência para o presente, é essencial que acrescente naturalidade e respeite o estilo da pessoa”, explica Rodrigo Lima, profissional do salão Retrô Hair. Ele acredita que o tom de cabelo da atriz precisa estar alinhado com a cor da pele da cliente, para não deixá-la pálida demais.
Twiggy (Inglaterra, 1949- )
“Sua imagem revolucionou completamente a abordagem dos cabelos femininos, com um corte novo e excitante. Depois de Twiggy, as mulheres podiam ter os fios curtos sem perder a essência da feminilidade.”
Claire Dawson
O nome Lesley Hornby pode soar desconhecido para muita gente. Mas quando a referência é feita a Twiggy, a empatia é imediata. Sob esse apelido, que significa “graveto”, a modelo inglesa foi o grande ícone fashion na segunda metade dos anos 1960.
Foi clicada pela primeira vez aos 16 anos, logo depois de fazer o corte de cabelo que definiria o seu perfil: curto, com nuca à mostra e franjão lateral. “O look é ideal para mulheres confiantes que desejam se destacar e que gostam de arriscar”, comenta Claire Dawson, membro do
time criativo dos salões Hob Salon.
Com a transformação do visual, a guinada na carreira foi certeira e rendeu trabalhos históricos, como a capa do disco Pinups, ao lado de David Bowie, e a foto tirada em 1968 para a revista Queen junto com Marilyn Monroe, Ginger Rogers, Greta Garbo e Rita Hayworth. Já trabalhou como atriz, apresentadora, escritora, estilista e sabe-se lá o que vem por aí!
Farrah Fawcett (Estados Unidos, 1947-2009)
“Ela representou a liberdade no jeito de arrumar os cabelos, sempre esvoaçantes e cuidadosamente despenteados. Esse estilo nasceu junto com a imagem dela, porque até então as mulheres mantinham os fios mais certinhos.”
Duda Molinos
A beleza de Farrah era tão arrebatadora que um pôster dela vestida de maiô chegou a vender oito milhões de cópias no mundo todo. Além disso, sua participação na série Charlie’s Angels (As Panteras, em português) foi de apenas uma temporada, mas ela é lembrada pelo papel de Jill Munroe até hoje.
A pantera mais famosa de todos os tempos também é referência na moda para cabelos. Sua figura foi eternizada pelo corte repicado que dava volume e movimento aos fios loiro-acinzentados. Segundo o beauty artist Duda Molinos, essa é uma tonalidade requisitada atualmente, pois a tendência é que os loiros estejam mais para o acinzentado do que para o amarelado. “O ideal é deixar um perfume da época de um jeito que as pessoas tenham vontade de usar hoje. Não é porque você está buscando uma inspiração dos anos 1970 que precisa marcar o trabalho todo com esse tema”, comenta o profissional.
Grace Jones (Jamaica, 1948- )
“A pele escura e brilhante, o cabelo geométrico e a maquiagem colorida iniciaram o estilo que marcaria toda uma década.”
Ricardo dos Anjos
Ela estudou teatro e começou como modelo, mas foi nas pistas de dança que Grace Jones alcançou visibilidade e se tornou uma das principais vozes da música disco e new wave.
Os figurinos extravagantes ostentados pela cantora eram acompanhados por um cabelo não menos chamativo. Com formas retas, assemelhava-se a uma caixa. Por vezes, ele era destacado com adornos monumentais. Um exagero típico de um período em que a estética exigia formas grandiosas e cores vibrantes.
Para o cabeleireiro e maquiador Ricardo dos Anjos, o perfil adotado por Grace era tão irreverente que continua novo. “Favorece a beleza e a textura do cabelo crespo.”
Lady Di (Inglaterra, 1961-1997)
“O cabelo dela estava sempre bonito e orquestrado com o restante do figurino. A beleza de Diana é imortal.”
Hannes Steinmetz
Símbolo máximo da elegância e da discrição britânica, de 1981 a 1996 a princesa Diana construiu uma imagem de grande carisma popular, tanto que chegou a ser conhecida como a “Princesa do Povo”.
O cabelo curto e loiro era impecável solto ou adornado com chapéus dignos da realeza. De acordo com Hannes Steinmetz, diretor artístico do grupo austríaco Bundy Bundy, a princesa inovou ao conservar as madeixas secas de uma maneira muito casual.
Quanto ao corte, o segredo estava na relação com o rosto. “As proporções e o acabamento eram perfeitamente ajustados ao tipo físico dela.” No entanto, o profissional enfatiza que para aderir ao look de Lady Di é fundamental repaginar a base com os recursos atuais de cor e corte.
Kate Moss (Inglaterra, 1974- )
“Ela incorpora a ousadia da mulher moderna, que trabalha e busca praticidade no dia a dia.”
Walter Cabral
“Descoberta” no final dos anos 1980, Kate Moss conquistou seu espaço como modelo na década seguinte. O corpo esguio se destacava entre os biótipos curvilíneos da época. Por isso, ela figurou nos ensaios das revistas de moda mais importantes do mundo e encabeçou diversos rankings de beleza, chegando a ser considerada a modelo mais bem paga do mundo.
O despojamento do visual, quase sempre caracterizado por jeans e camiseta básica, se expressa também nas madeixas. “O corte em camadas, com leveza e movimento, e a coloração de mechas sem marcar a raiz tornaram-se referência”, comenta Walter Cabral, diretor da rede carioca Walter’s Coiffeur. Ele ainda dá a dica para quem deseja ter o ar despreocupado de Kate Moss: além do corte, a musse é fundamental para deixar o penteado displicente.
Jessica Rabbit (Estados Unidos, 1988)
“Jessica apareceu numa época em que Kate Moss era o ícone de beleza e conseguiu fazer os homens delirarem, mesmo sendo um desenho animado!”
Viktor I
Musa do filme Uma Cilada para Roger Rabbit (1988), que mistura atores reais e desenhos animados, a ruiva de curvas generosas deixou muitos marmanjos babando.
Saída de 1947, ano em que se passa a história, Jessica Rabbit causou impacto na estética do fim dos anos 1980, com uma sensualidade enigmática e fartos cabelos vermelhos de ondas marcadas. Viktor I, diretor do Vimax Beauty, considera o visual como uma opção para as mulheres exuberantes que não têm medo de chamar a atenção. Mas, segundo ele, a coloração requer cuidados especiais. “Os vermelhos desbotam rapidamente, exigindo manutenção mensal e uso de xampus e condicionadores específicos”
